A cerimônia de encerramento do Projeto Rural Sustentável Amazônia (PRS Amazônia) no Amazonas, realizada nesta quinta-feira (29), no auditório do Sebrae Amazonas, no Centro de Manaus, apresentou um panorama geral dos resultados e depoimentos, em uma mesa-redonda, sobre o fortalecimento da agricultura familiar, a valorização da sociobiodiversidade e a geração de oportunidades econômicas para comunidades da região por meio do projeto. O evento destacou os resultados da atuação conjunta entre o Sebrae-AM, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e outras entidades parceiras, como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no apoio às cadeias produtivas da castanha-do-brasil e do pirarucu de manejo.
A parceria institucional contribuiu para ampliar o alcance das ações nos territórios, levando orientação técnica, capacitação e suporte ao desenvolvimento de Organizações Socioprodutivas (OSPs) formadas por agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, povos indígenas e tradicionais. O trabalho teve atuação em municípios como Tefé, Alvarães, Coari e Manicoré, respeitando as particularidades das comunidades e das atividades produtivas locais.

Para a diretora administrativa e financeira do Sebrae Amazonas, Adrianne Antony Gonçalves, a cooperação com o IABS ampliou a capacidade de atendimento e permitiu chegar a públicos que enfrentam desafios específicos para obter serviços que impulsionam os negócios. “Eu costumo dizer que o Sebrae vai trabalhar de alguma forma, porque temos metas, obrigações com resultados e uma atuação muito forte de interiorização. Mas, sozinhos, a gente consegue trabalhar com atuação limitada. Quando temos parcerias como essa, com o IABS, o céu é o limite, porque conseguimos acessar mais pessoas e territórios com a devida qualidade”, afirmou.
Adrianne também ressaltou a importância de construir soluções a partir da realidade de quem vive e produz na Amazônia. Ela reconheceu o protagonismo das comunidades para o desenvolvimento sustentável. “Precisamos chegar aos territórios respeitando o chão que pisamos e só conseguimos fazer isso junto com os comunitários. Eles são a razão de ser do trabalho e devemos continuar defendendo essas iniciativas e buscando mercados para os produtos das comunidades. Contem com o Sebrae. As portas estão abertas”, disse.
Apoio à produção e ao acesso a mercados
Executado pelo IABS, o PRS Amazônia é uma iniciativa financiada pelo Governo do Reino Unido, com participação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e articulação com instituições públicas brasileiras. O projeto atuou nos estados do Amazonas, Pará e Rondônia, com o objetivo de fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, promover a inclusão socioprodutiva e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.
No Amazonas, as ações concentraram-se nas cadeias da castanha-do-brasil e do pirarucu de manejo. Entre os resultados estão a oferta de assistência técnica e extensão rural, a realização de capacitações e o apoio a organizações socioprodutivas por meio de benefícios coletivos, como infraestrutura e equipamentos definidos a partir das necessidades identificadas nos territórios.
O trabalho também buscou fortalecer a gestão dos empreendimentos comunitários e preparar produtores rurais do Estado e suas organizações para comercializar em outros mercados, incluindo os institucionais de compras públicas. Essa estratégia aproxima a atividade sustentável de novas oportunidades de vendas, contribuindo para a geração de renda e a valorização dos produtos da sociobiodiversidade.

Como parte do esforço direcionado aos mercados institucionais e ao desenvolvimento territorial, o Sebrae Amazonas organizou recentemente ações, por exemplo, na região do Rio Madeira para potencializar a agricultura familiar, em conjunto com o IABS e a consultoria Semear Socioambiental. Em Manicoré, o trabalho atendeu as comunidades de Santa Maria e Repartimento com oficinas práticas para que os produtores pudessem vender os alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ambos do Governo Federal.
E além de orientações sobre regularização de documentos e organização comunitária, a parceria com a Associação AMAR, na Comunidade Repartimento, viabilizou uma Organização de Controle Social (OCS), focada em produção orgânica, rastreabilidade e planos de manejo.
Coordenador operacional do PRS Amazônia, Eric Jorge Sawyer destacou o papel do Sebrae Amazonas nos resultados alcançados ao longo dos anos de execução. “Nos três estados [da Região Norte] em que o projeto atuou, o Sebrae local sempre foi um parceiro muito forte e viabilizou a realização de muitas atividades. Temos muita gratidão por tudo o que aconteceu durante esses anos e por essa parceria, que nos possibilitou estar aqui hoje comemorando resultados com beneficiários que certamente tiveram suas vidas transformadas pelas ações implementadas”, analisou.
Legado e continuidade
Para além das entregas materiais e das atividades de capacitação, o PRS Amazônia deixa como legado a estruturação das organizações locais e a construção de relações entre comunidades, instituições públicas e entidades de apoio ao desenvolvimento sustentável. A experiência também comprova a importância de reconhecer o extrativismo e o manejo sustentável como atividades que conciliam faturamento e conservação ambiental. E ao fortalecer a cadeia da castanha e o manejo do pirarucu, as ações geram condições para manter as famílias nos territórios, com o respeito aos conhecimentos tradicionais e recursos naturais.
Diretor regional da Amazônia no IABS e coordenador estadual do projeto, Vinícius Lopes declarou que o trabalho em conjunto com as organizações comunitárias foi essencial para adaptar as ações às necessidades de cada território. Ainda segundo o diretor, a elaboração participativa dos planos de negócios e investimentos permitiu ajustar as iniciativas às demandas locais, considerando os desafios logísticos, as características das cadeias produtivas e as prioridades apontadas pelos próprios beneficiários.

