Realizado pela primeira vez em Manaus, o programa Empreendedoras da Reciclagem chegou ao fim, na última terça-feira (22), com a participação de 109 mulheres do Amazonas que trabalham com materiais recicláveis e uma rede formada por cooperativas e associações da capital e do interior. Organizada pela startup Soma, de São Paulo, a iniciativa está na quarta edição no Brasil e buscou ampliar conhecimentos e fortalecer as organizações de catadores.
Durante os meses de agosto e setembro, foram promovidos sete encontros de mentoria, sempre às terças-feiras, no auditório do Sebrae Amazonas, no Centro. A programação abordou temas como gestão, liderança, empreendedorismo, saúde mental, saúde da mulher e valorização da trajetória profissional.
A iniciativa da Soma teve apoio da Lei de Incentivo à Reciclagem, da Abralatas e das empresas Crown Embalagens Metálicas e Ardagh Metal Packaging, além das parcerias do Sebrae e da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Criado em 2024, o Empreendedoras da Reciclagem surgiu da identificação da forte presença feminina na cadeia de gerenciamento de resíduos. A proposta é trabalhar não apenas a capacitação técnica, mas também o reconhecimento das mulheres como donas de pequenos negócios e agentes importantes da economia circular.
O programa se construiu a partir da escuta das próprias catadoras, que participaram de encontros para verificar necessidades, desafios e expectativas. Da troca de experiências, foram definidos conteúdos voltados ao desenvolvimento de competências, à autonomia, à liderança, à gestão e à formação de redes de colaboração.
Capital e interior
Na edição inédita em Manaus, o programa envolveu 17 organizações de catadores da capital e do interior. Os encontros semanais tiveram representantes da Eco Cooperativa, Coopcamare, Aliança, Nova Recicla, Recicla Manaus, ACR, Ascarmam, AscafIguama, Associação Assgager, Associação ACMARR, Associação Moriá, Núcleo II, Grupo Eco Ativa, Associação Nova Esperança, de Iranduba, Cotepla e Sonho de Deus, ambas de Manacapuru.
Para Patrícia Figueiredo, responsável pelo Empreendedoras da Reciclagem na Soma, a formação representa uma oportunidade para que as participantes ampliem a percepção sobre o próprio trabalho e criem novas conexões para além das atividades cotidianas.
“Nós queríamos que essas mulheres percebessem o potencial que já existe nelas e no trabalho que realizam. A formação cria espaço para troca, reconhecimento e construção de uma rede que pode continuar depois do programa”, afirmou.
Sebrae amplia conexão com catadores

No último dia do Empreendedoras da Reciclagem, em Manaus, o Sebrae aproveitou o espaço para reforçar a atuação da instituição com as organizações de catadores pelo Projeto Pró-Catadores. A iniciativa promove a inclusão socioeconômica e produtiva da categoria, qualifica gestões e ajuda na formalização de cooperativas e trabalhadores autônomos.
Durante o encerramento, a gestora do projeto no Amazonas, Eliene Freitas, ofereceu a estrutura da instituição como suporte para as participantes. Ela destacou a possibilidade de trabalhar conteúdos de empreendedorismo adaptados à realidade da atividade.
“O Sebrae quer somar ao trabalho que já vem sendo feito e trazer um empreendedorismo diferenciado, que ajude a olhar para mercado, finanças e novas possibilidades para os negócios”, disse.
Ainda conforme Eliene, o Sebrae pretende ampliar a aproximação com outras organizações que trabalham com reciclagem no Estado. A meta é fortalecer uma rede de atendimento e desenvolvimento dos empreendimentos do setor.
Parceria da Aleam
A Assembleia Legislativa do Amazonas, que sediou a abertura do programa Empreendedoras da Reciclagem no dia 10 de agosto, também marcou presença no último dia da edição. Representando o deputado estadual e presidente da Casa, Adjuto Afonso, a diretora de Comunicação da Aleam, Nívia Rodrigues, destacou os serviços públicos do órgão que podem contribuir com a estruturação das organizações de catadores.
Entre as possibilidades citadas estão serviços contábeis e jurídicos, consultoria de negócios e capacitações realizadas pela Escola do Legislativo. A Aleam também mantém frentes parlamentares relacionadas ao empreendedorismo e ao cooperativismo.
“A Assembleia está colocando esses serviços à disposição das cooperativas e associações, com capacitação, consultoria e orientação. Queremos acompanhar esse trabalho e identificar onde podemos somar para fortalecer o segmento”, disse Nívia.
E no fechamento das mentorias, a Soma entregou os certificados para as mais de 100 inscritas e premiou 18 catadoras que tiveram maior engajamento durante a jornada. A avaliação considerou critérios como participação nas atividades, respostas a enquetes e questionários e acesso aos materiais disponibilizados pelo programa.


