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Prêmio Sebrae de Jornalismo reconhece trabalhos que mostram diferentes cenários do empreendedorismo no AM

Produções sobre informalidade, cafeicultura, ancestralidade indígena e potencial de marcas étnicas conquistaram o primeiro lugar na etapa estadual da 13ª edição
Por Diogo Rocha
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Trabalhadores que encontram no comércio informal uma forma de sustento; agricultores que transformam áreas degradadas em lavouras de café; empreendedoras indígenas que convertem ancestralidade em negócios; e iniciativas que ressignificam identidades periféricas e étnicas por meio da moda. Estas são as histórias retratadas pelos trabalhos vencedores da etapa estadual da 13ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo, realizada nesta sexta-feira (25), no auditório do Sebrae Amazonas, no Centro de Manaus.

A cerimônia reuniu vencedores das cinco categorias: Jornalismo em Texto, Jornalismo em Áudio, Jornalismo em Vídeo, Fotojornalismo e Jornalismo Universitário. Ao todo, mais de 80 trabalhos foram inscritos no Amazonas, dos quais 17 chegaram à etapa final, avaliados pela comissão julgadora formada pelas jornalistas Andrea Vieira, Arthemisa Gadelha e Luana Borba.

Para a diretora superintendente do Sebrae-AM, Ananda Carvalho Normando Pessôa, o prêmio é uma forma da instituição reconhecer profissionais que dão visibilidade às histórias de quem empreende no Estado.

“Passamos de uma década de premiação e o Sebrae entende a importância de reconhecer quem dá visibilidade às histórias empreendedoras. Temos trajetórias incríveis no Amazonas que, muitas vezes, não conseguem essa visibilidade a não ser pelo trabalho da imprensa. É por meio do jornalismo que essas histórias chegam mais longe e mostram a força de quem empreende no nosso Estado”, disse.

Diretora superintendente do Sebrae-AM, Ananda Carvalho, e diretora administrativa e financeira, Adrianne Gonçalves, elogiaram o papel da imprensa em dar visibilidade aos empreendedores. Foto: Wellington Mamud

Ananda também ressaltou o papel do empreendedorismo na geração de renda e no desenvolvimento dos territórios, especialmente diante dos desafios enfrentados no Amazonas. “O empreendedor amazonense tem que ser muito resiliente, porque nós já temos desafios naturais de logística para qualquer produto ou serviço que oferecemos. Então, esse é mais um motivo para que possamos dar as mãos enquanto sociedade, instituições e imprensa para dar voz a quem movimenta nossa economia”, afirmou.

A diretora administrativa e financeira do Sebrae Amazonas, Adrianne Antony Gonçalves, destacou o impacto do jornalismo na valorização de histórias que muitas vezes estão distantes dos grandes centros.

“Eu queria registrar que o trabalho da imprensa leva vida para quem está lendo, assistindo ou ouvindo. Tem muitas matérias que falam de atividades do interior, olhando com novidade para criações e insumos regionais. Isso, para a juventude, é muito bom, porque dá outro patamar, outra visão, outra perspectiva. E só conseguimos isso através de uma imprensa livre, atuante e de qualidade”, disse.

Histórias que chegam ao pódio

Na categoria Jornalismo em Texto, o primeiro lugar ficou com a jornalista Elen Viana pela reportagem, no portal Rios de Notícias, chamada “Empreendedorismo de sobrevivência: Informalidade no AM atinge quase um milhão e expõe rotina de até 14 horas nas ruas”. A matéria acompanha a realidade de ambulantes de Manaus e mostra como o comércio informal se tornou fonte de renda para milhares de pessoas.

O trabalho apresenta histórias de trabalhadores que enfrentam jornadas extensas, instabilidade nas vendas, chuva, fiscalização e perdas de mercadorias, além de contextualizar o cenário com dados sobre informalidade, mercado de trabalho e formalização de pequenos empreendedores.

Para Elen, o reconhecimento reforça a importância de contar histórias de pessoas que muitas vezes permanecem invisíveis. “É muita felicidade ter esse trabalho reconhecido, mostrando a importância dos trabalhadores da nossa sociedade amazonense, muitas vezes invisibilizados. Poder mostrar suas lutas, dificuldades e tudo o que eles passam, e conseguir esse incentivo do Sebrae, para mim, é maravilhoso. Eu quero continuar contando muitas outras histórias da nossa população amazonense”, declarou.

A jornalista também conquistou o primeiro lugar estadual na categoria em 2025 e agora segue para a etapa regional do Prêmio Sebrae.

Jornalistas premiados na categoria Texto, Elen Viana, Kataryne Dias e Márcio Azevedo, foram prestigiados pela diretora superintendente da instituição, Ananda Carvalho. Foto: Wellington Mamud

Na categoria Jornalismo em Vídeo, a vencedora foi Ruthiene Bindá, do Grupo Rede Amazônica, com a matéria veiculada na TV Globo “Empreendendo com café no Amazonas: cultivo transforma florestas degradadas e vidas de agricultores”. A produção mostra a expansão da cafeicultura no Estado e a relação entre geração de renda e recuperação de áreas degradadas.

“É a primeira vez que inscrevo um trabalho no Prêmio Sebrae de Jornalismo e eu queria justamente trazer uma matéria que tivesse esse viés de empreendedorismo e que fizesse a diferença”, disse Ruthiene.

Segundo a profissional, a reportagem mostra agricultores que encontraram no café uma alternativa de renda e uma forma de preservar a floresta. “A gente fica muito feliz de saber que essas histórias transformam vidas, porque percebe o quanto essas pessoas mudaram de ideia, estão investindo e têm novos sonhos, não só para elas, mas também para os filhos e as próximas gerações”, completou.

Matérias sobre cafeicultura, comercialização de peixe amazônico e sustentabilidade através de resíduos foram os destaques do pódio da categoria Jornalismo em Vídeo. Foto: Wellington Mamud

O repórter fotográfico Raphael Alves, da agência Amazônia Real, levou o troféu de primeiro colocado na categoria Fotojornalismo pelo trabalho “Fios de memória: um futuro que honra a ancestralidade”. O material foi produzido a partir da história do Ateliê Derequine, iniciativa ligada ao Instituto Witoto, no Parque das Tribos, em Manaus.

As imagens registram mulheres indígenas do povo Witoto que trabalham com moda e design a partir de referências da própria ancestralidade. Raphael afirmou que o reconhecimento conquistado vai principalmente para as empreendedoras retratadas.

“Eu tinha o material e me inscrevi. A felicidade aqui não é por mim, mas principalmente por essas mulheres empreendedoras que fotografei e que dividiram suas histórias comigo”, afirmou.

O fotógrafo destacou ainda que a produção se baseou na confiança e no diálogo com as mulheres do ateliê. “Quando você está em um território originário, você é um estrangeiro. Então, pedi a permissão delas, que foi concedida, e tudo foi construído na base da confiança, até o produto final, que foi a matéria e, felizmente, premiada hoje”, declarou.

Categoria Fotojornalismo reconheceu o talento de profissionais como Raphael Alves, Tunico Santos e Luzimar Bessa (representado pela jornalista Simone Lima). Foto: Wellington Mamud

Já na categoria Jornalismo em Áudio, o vencedor foi Maurício Max, da BandNews Difusora, pela reportagem “Marca de moda inspirada na cultura periférica amazônida valoriza sustentabilidade para reduzir desperdício em Manaus”.

A matéria apresenta a trajetória da Cepecompany, marca criada por um casal que transforma expressões e referências das periferias de Manaus em peças de moda, ao mesmo tempo em que chama atenção para o desperdício na indústria têxtil.

Para Max, a premiação amplia a visibilidade de uma pauta que considera importante para o jornalismo regional. “Vencer o Prêmio Sebrae de Jornalismo na etapa estadual já é uma grande vitória. A visibilidade e o prestígio local tornam ainda mais significativa a oportunidade de debater pautas de empreendedorismo, principalmente um tema que foi muito importante este ano: a moda periférica e a cultura periférica amazônida”, afirmou.

“A ideia da reportagem surgiu justamente ao perceber como a Cepecompany transformou expressões que muitas vezes são usadas de forma pejorativa nas periferias, como ‘Bodozal’ e ‘Forró de Galeroso’, em elementos de empoderamento e valorização da cultura, estampados nas camisas da marca. Eu vi ali uma boa história para contar e também uma oportunidade de fazer as pessoas refletirem sobre esses preconceitos e sobre como o empreendedorismo pode ressignificar essas expressões”, acrescentou Maurício Max.

Esta é a terceira vitória consecutiva de Max no prêmio. Ele também foi vencedor estadual em 2025 e em 2024, quando representou o Amazonas na etapa nacional e conquistou o primeiro lugar na categoria Áudio.

Claudia Miranda e equipe da Agência Comunica/Fametro ficaram em primeiro lugar na categoria Jornalismo Universitário pelo trabalho documental “AIKUNATCHICA YRA”. Foto: Wellington Mamud

Pela categoria Jornalismo Universitário, o trabalho vencedor foi o documentário “AIKUNATCHICA YRA”, produzido por Claudia Miranda, Beatriz Nascimento Miranda, Camila Vieira de Sant’anna, Jonas Bezerra Vasconcelos e Larissa Grazielly Serrão Gama, da Agência Comunica/Fametro, sob orientação da professora Leila Ronize.

A produção aborda o empreendedorismo feminino indígena a partir da trajetória da estilista Yra Tikuna e de sua marca e ateliê. Para Claudia, a conquista representa o desenvolvimento do grupo dentro da universidade e também uma oportunidade de ampliar a visibilidade da ancestralidade indígena.

“É um mérito não só meu, mas de todos os meus amigos. O documentário fala sobre o empreendedorismo feminino indígena aqui no Amazonas. Nós, enquanto pessoas amazônicas, temos que reconhecer mais a nossa ancestralidade e a nossa resistência indígena. Para nós, é gratificante dar voz à Yra Tikuna, uma mulher que ainda não tem muita visibilidade aqui no Amazonas”, disse.

Jornalismo em transformação

Além da cerimônia de premiação, o evento contou com o talk “Jornalismo em Transformação: Carreira, Propósito e Novos Caminhos”, mediado pelo jornalista Breno Cabral, da Rede Amazônica. O painel reuniu o jornalista investigativo Alexandre Hisayasu, a gerente de jornalismo da Record no Amazonas, Nilza Vieira, e a jornalista e professora universitária Leila Ronize.

Durante cerca de 40 minutos, os convidados discutiram transformações na profissão, inteligência artificial, novas plataformas, humanização das reportagens, empreendedorismo e os desafios para a formação e construção de carreira no jornalismo.

Entre os pontos debatidos esteve o uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio, sem substituir o olhar humano do jornalista, além da importância do contato direto com personagens e comunidades para encontrar histórias capazes de revelar aspectos econômicos, sociais e culturais dos territórios.

A jornalista e professora Leila Ronize, a gerente de jornalismo da Record no AM, Nilza Vieira, e o jornalista Alexandre Hisayasu palestraram sobre os novos desafios da imprensa. Foto: Wellington Mamud

Próxima fase

Os primeiros colocados das cinco categorias seguem para a etapa regional do Prêmio Sebrae de Jornalismo. Nessa fase, os trabalhos serão avaliados por cinco júris, correspondentes às regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Os vencedores regionais avançam para a etapa nacional, em Brasília (DF), onde concorrerão ao troféu máximo da premiação.

Para o Sebrae Amazonas, o reconhecimento aos profissionais e estudantes reforça a aproximação entre jornalismo e empreendedorismo e amplia a visibilidade de histórias que ajudam a compreender as transformações econômicas, sociais, culturais e territoriais vivenciadas no Estado.

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Confira os pódios da Etapa Estadual do 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo

Jornalismo em Texto

1º lugar: Elen Viana, do Portal Rios de Notícias, por “Empreendedorismo de sobrevivência: Informalidade no AM atinge quase um milhão e expõe rotina de até 14 horas nas ruas”

2º lugar: Kataryne Dias, do Portal Rios de Notícias, por “Escultor transforma madeira descartada em arte e renda no AM; setor movimenta mais de R$ 6 milhões e passa por profissionalização”

3º lugar: Márcio Azevedo, do Portal TechAmazônia, por “Como um município isolado do Amazonas virou polo de inovação?”

Jornalismo em Vídeo

1º lugar: Ruthiene Bindá, do Grupo Rede Amazônica/Globo, por “Empreendendo com café no Amazonas: cultivo transforma florestas degradadas e vidas de agricultores”

2º lugar: Carolina Queiroz, da TV A Crítica, por “Da floresta ao mercado: a jornada empreendedora do pirarucu amazônico”

3º lugar: Jessica Oliveira, da TV A Crítica, por “Da cozinha ao cuidado com a Amazônia: a iniciativa que transforma resíduos em sustentabilidade”

Fotojornalismo

1º lugar: Raphael Alves, da Amazônia Real, por “Fios de memória: um futuro que honra a ancestralidade”

2º lugar: Tunico Santos, da Rede Rios, por “Artesanato Joe Alcantara”

3º lugar: Luzimar Bessa, do Portal DeHoraEmHora, por “Rosto marcado pelo tempo e o olhar firme faz do projeto fonte de renda e transformação para 50 famílias de artesãos no Amazonas”

Jornalismo em Áudio

1º lugar: Maurício Max, da BandNews Difusora, por “Marca de moda inspirada na cultura periférica amazônida valoriza sustentabilidade para reduzir desperdício em Manaus”

Jornalismo Universitário

1º lugar: Claudia Miranda Bezerra e equipe, da Agência Comunica/Fametro, por “AIKUNATCHICA YRA”

2º lugar: João Pedro Amaral Silva Santana, da Maloca Digital/Universidade Federal do Amazonas, por “Em meio à velocidade da vida moderna, a economia solidária”

  • 13ª Edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo
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