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Sebrae prepara agricultores de Manicoré para vender nos mercados institucionais

Trabalho com produtores da comunidade Repartimento fortalece organização, gestão de negócios e acesso às compras públicas do PNAE e PAA
Por Diogo Rocha
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Para quem vive da agricultura familiar, produzir representa apenas uma parte do caminho até a renda. É preciso também estar com a documentação em dia, entender onde estão as oportunidades, organizar a oferta e ter condições de atender às demandas dos compradores. Em Manicoré, o Sebrae Amazonas está ajudando agricultores a se prepararem para alcançar novos mercados.

A iniciativa, promovida com a Associação dos Moradores Agroextrativistas da Comunidade Repartimento (AMAR), reuniu ações de organização administrativa, gestão de negócios, produção e comercialização. Tudo alinhado com as frentes de trabalho do Sebrae voltadas à inclusão produtiva e fortalecimento dos pequenos negócios.

A lógica é simples: se as compras públicas geram demanda, o fornecedor precisa estar preparado para transformar essa demanda em mercado para a produção local. Com esse foco, a instituição começou, em agosto, um levantamento da situação documental da associação e dos seus membros.

Formação com moradores da zona rural de Manicoré iniciou em agosto com suporte do Sebrae-AM

A equipe do Sebrae-AM identificou pendências e orientou os agricultores sobre os documentos necessários para participar dos mercados institucionais. E a partir desse diagnóstico, os atendimentos avançaram, em setembro, com a preparação da comunidade para as oportunidades de comercialização.

Entre os caminhos apresentados para o escoamento dos produtos estão o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Os agricultores receberam orientações sobre as diferentes etapas envolvidas no fornecimento para esses programas do Governo Federal, desde a identificação da demanda e o levantamento da capacidade de produção até a organização da oferta, documentação, definição de preços e elaboração de projetos de venda.

Mais do que apresentar e explicar o processo das compras públicas, a meta do Sebrae é ajudar os produtores rurais a olhar para a própria atividade também pela perspectiva de mercado: o que a comunidade consegue fornecer, em qual quantidade, em que período e como pode se organizar para cumprir uma demanda.

Organização coletiva

Outro eixo do trabalho em Manicoré envolveu a Organização de Controle Social (OCS), com mobilização, sensibilização e orientações aos agricultores sobre organização coletiva, produção orgânica, requisitos aplicáveis e possibilidades de ampliação dos canais de comercialização.

Durante a missão técnica no interior, a equipe do Sebrae Amazonas acompanhou atividades de campo e observou aspectos que influenciam diretamente a capacidade de fornecimento da comunidade. Para o analista da instituição, Elder Santos, a qualificação dos produtores rurais deve considerar tanto a realidade local quanto as oportunidades existentes no mercado.

“Quando o produtor conhece os programas, organiza sua documentação, entende sua capacidade de oferta e trabalha coletivamente, passa a estar mais preparado para acessar mercados que antes pareciam distantes”, afirmou.

Moradores aprenderam sobre organização coletiva, produção orgânica e ampliação da comercialização

Especialista em compras e políticas públicas da agricultura familiar, Flávio Quental Rodrigues foi responsável pela consultoria aos produtores rurais, em Manicoré. Ele prestou orientação e assessoramento aos agricultores e suas organizações.

De acordo com Rodrigues, o maior empecilho para agricultores e comunidades tradicionais entrarem nos mercados institucionais está na dificuldade em se organizarem coletivamente para a produção e as vendas. A maioria esbarra em questões logísticas e culturais e até em problemas de comunicação.

“E ainda temos gargalos também na parte de documentação dos produtores, elaboração de projeto de venda e emissão de nota fiscal. Então, tem esses obstáculos ligados à burocracia porque falta assistência técnica para ajudar na ponta os moradores da zona rural em relação às formalidades exigidas, como a abertura de contas bancárias. Isso é um problema não apenas para os programas de aquisição de alimentos, mas para a agricultura familiar e as comunidades em geral”, disse o especialista.

A agenda do Sebrae Amazonas no município vai até outubro. As novas etapas incluem a estruturação das organizações locais, a análise dos resultados e a troca de experiências. O objetivo principal é definir os próximos passos para garantir que as vendas para os mercados institucionais se tornem realidade.

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