Da formalização do Microempreendedor Individual (MEI) à busca por crédito para trocar a motocicleta, regularizar o negócio ou investir na atividade. Durante dois dias, profissionais que fazem da moto uma ferramenta de trabalho encontraram no Encontro de Negócios “Duas Rodas”, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), um espaço criado especificamente para atender às necessidades desse público.
Realizada nos dias 29 e 30 de setembro, das 8h às 18h, no Ponto de Atendimento do Sebrae no Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus, a iniciativa registrou aproximadamente 2400 atendimentos ao longo da programação, voltada a entregadores por aplicativo, motoboys, mototaxistas, motofretistas e outros profissionais. Entre as principais demandas estiveram formalização, regularização, orientação empresarial, gestão financeira, acesso a crédito, financiamento e soluções relacionadas à motocicleta e à atividade profissional.

A programação também contou com palestras e orientações como Benefícios do MEI, emissão de nota fiscal, acesso a crédito e Reforma Tributária, além da apresentação do Move+ Sebrae – Programa Agentes de Mercado. Consultores da instituição realizaram atendimentos individualizados para identificar a situação de cada empreendedor e direcioná-lo às soluções adequadas.
Segundo a analista técnica do Sebrae Amazonas e idealizadora da iniciativa, Maria de Jesus Vieira, o encontro nasceu justamente da aproximação da instituição com esses trabalhadores em ações realizadas fora das unidades de atendimento.
“Estamos acompanhando esse público e percebemos necessidades muito diferentes. Tem quem precise se formalizar, quem já é MEI, mas precisa se regularizar, quem busca crédito e quem precisa melhorar a própria ferramenta de trabalho. Trouxemos essas demandas para dentro do Sebrae e reunimos parceiros que pudessem oferecer respostas práticas. Esse é um primeiro olhar mais específico para um público que precisa estar informado, orientado e preparado para desenvolver melhor sua atividade”, afirma.

Entre as demandas identificadas nos atendimentos estiveram parcelamento de débitos, emissão do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), regularização e formalização de MEI, reenquadramento e opção pelo Simples Nacional, além da procura por consultorias do Sebraetec e orientação sobre gestão financeira.
A formalização também abriu espaço para orientar os trabalhadores sobre a proteção previdenciária associada ao MEI. Ao manter as contribuições em dia e cumprir os requisitos do INSS, o microempreendedor pode ter acesso a garantias como aposentadoria, salário-maternidade e benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), além de proteção aos dependentes. Para quem depende diretamente da motocicleta para gerar renda, essa informação ganha relevância diante da possibilidade de um acidente ou problema de saúde interromper temporariamente o trabalho.
“A gente percebeu nos atendimentos nas ruas que muitos trabalhadores conheciam o MEI, mas não necessariamente entendiam o que existe por trás da formalização. Para quem trabalha de moto e está diariamente exposto ao trânsito, saber que a contribuição também pode garantir proteção em um momento de incapacidade é uma informação muito importante. Nosso trabalho é orientar para que ele conheça esses direitos, mantenha a situação regular e possa tomar decisões mais seguras para a própria atividade e para a família”, finaliza Maria de Jesus.
Da regularização a novas possibilidades
Os atendimentos também revelaram diferentes momentos da trajetória de quem trabalha sobre duas rodas. Há cinco anos atuando como entregador por aplicativo, Douglas Nunes Leonardo, de 25 anos, aproveitou o encontro para se formalizar como Microempreendedor Individual. Para ele, o passo representa mais do que organizar a atividade atual: faz parte dos planos de construir outras fontes de renda.

“Eu espero pensar mais à frente, construir algo para ter uma estabilidade financeira melhor. Hoje a gente trabalha de aplicativo, mas a tendência é melhorar, buscar algo próprio e ter uma renda complementar”, conta.
Já a empresária Tatiane Rodrigues, que atua no segmento de aplicação de insulfilm e adesivos, procurou o Sebrae para verificar pendências relacionadas ao MEI e conseguiu solucionar as questões durante o atendimento. “Deu para ver como estava a empresa na Receita Federal e resolver tudo. Foi ótimo o atendimento”, relata.
A procura por soluções alcançou ainda quem pretende ampliar ou reorganizar a atividade. O entregador de aplicativo e eletricista Gerson Macedo chegou ao Sebrae depois de conhecer a ação pela televisão. Com o negócio inativo há três anos, buscou orientação para regularizar sua situação empresarial e retomar os planos de empreender, entre eles investir futuramente na locação de carros e motocicletas.
No segundo dia, o mototaxista Nino da Silva Dutra, que trabalha há mais de dez anos no transporte de passageiros, procurou alternativas para substituir a motocicleta utilizada no trabalho. Já Jacqueline Santos, recém-formalizada como MEI, atua com corridas, é instrutora de motocicleta e também utiliza a moto nas entregas de sua loja de produtos naturais. No encontro, buscou informações sobre crédito e financiamento e saiu com contatos para avaliar as possibilidades.
Café, conexões e negócios
Além dos atendimentos realizados pelo Sebrae, o encontro aproximou os trabalhadores de empresas e instituições com soluções diretamente relacionadas à atividade. Participaram Credisol, Basa Acredita, Braga Motos/Yamaha, Mottu Motos, Guto Motos e Rodrix Motos, com alternativas que envolveram crédito, financiamento, aquisição e locação de motocicletas, peças, acessórios e outros serviços.
A conexão também gerou resultados comerciais durante os dois dias: todas as empresas expositoras registraram negócios, vendas ou fechamento de propostas a partir dos atendimentos realizados no encontro. Entre os resultados relatados está a comercialização de motocicletas para profissionais que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho.

Para Emanuelly Rodrigues, representante da Credisol, reunir orientação empresarial e acesso a recursos financeiros no mesmo ambiente permite atender necessidades que estão diretamente relacionadas.
“Muitas vezes, esse empreendedor precisa trocar um capacete, fazer a manutenção da moto ou investir no próprio negócio e não consegue retirar esse valor da renda do dia a dia. Quando aproximamos crédito, formalização e orientação, conseguimos oferecer caminhos diferentes para que ele organize e fortaleça sua atividade”, explica.
A presença das empresas também permitiu aproximar as soluções oferecidas das necessidades apresentadas pelos próprios trabalhadores. Crédito para investir na atividade, alternativas para aquisição ou locação de motocicletas, manutenção, peças e equipamentos passaram a fazer parte de uma mesma jornada de atendimento, ao lado das orientações empresariais oferecidas pelo Sebrae.
A primeira edição reforçou a percepção que motivou a criação do encontro: para milhares de trabalhadores, a motocicleta é ferramenta de trabalho e geração de renda. As demandas identificadas nos mais de 2000 atendimentos servirão de referência para o Sebrae Amazonas avaliar e desenvolver outras ações que possam contribuir para uma atividade mais organizada, protegida e preparada para novas oportunidades.
Contatos para a imprensa: Assessoria de Comunicação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM): [email protected] ou Rodrigo Amorim (92) 98134-5970/ 99522-7662

